A cidade de Catalão está entre os municípios atingidos por uma operação da Polícia Civil de Goiás que investiga um esquema criminoso de venda de vagas no sistema público de saúde. A ação, deflagrada na terça-feira (7), faz parte da operação “Mercancia Torpe”, que busca desarticular uma organização suspeita de fraudar a fila de atendimento do SUS em diversas cidades do estado.
De acordo com as investigações, o grupo atuava inserindo pacientes de forma irregular no sistema de regulação médica, mediante pagamento. Na prática, pessoas que pagavam propina conseguiam acesso mais rápido a consultas, exames e cirurgias, furando a fila e prejudicando quem aguardava atendimento de forma regular.
A operação é coordenada pela Delegacia Estadual de Combate à Corrupção (Deccor) e cumpre um total de 52 mandados judiciais em Goiás. Entre eles, estão seis mandados de prisão temporária, 17 de busca e apreensão, cinco afastamentos de servidores públicos e 24 quebras de sigilo bancário e fiscal.
Além de Catalão, os mandados também são cumpridos em outras cidades, como Goiânia, Aparecida de Goiânia, Senador Canedo, Goianira, Corumbá de Goiás, entre outros municípios do interior goiano.
Segundo a Polícia Civil, o esquema contava com a participação de agentes públicos ligados a órgãos de saúde, responsáveis por manipular sistemas como o SERVIR e o SISREG — plataformas que organizam o acesso da população aos serviços de saúde. Ao todo, pelo menos 24 pessoas são investigadas nesta fase da operação.
As investigações apontam que havia uma verdadeira “comercialização” de vagas no sistema público, transformando um serviço que deveria ser gratuito e universal em um esquema de favorecimento mediante pagamento. Dependendo do valor pago, os envolvidos conseguiam não apenas inserir pacientes de forma irregular, mas também alterar a prioridade na fila de atendimento.
A operação é um desdobramento da chamada “Operação Hipócrates”, realizada em 2023, que já havia identificado e prendido parte dos envolvidos no esquema. Nesta nova fase, o foco está em outros suspeitos, incluindo servidores públicos que teriam papel direto na fraude dos sistemas de regulação.
Os investigados podem responder por crimes como corrupção ativa e passiva, falsidade ideológica, inserção de dados falsos em sistemas públicos e associação criminosa.
O caso chama atenção pela gravidade das acusações, já que o esquema impacta diretamente o acesso da população à saúde pública. Ao permitir que pessoas paguem para “furar fila”, a prática compromete a equidade do sistema e pode atrasar atendimentos essenciais para pacientes que realmente aguardam na ordem correta.
A Polícia Civil segue com as investigações para identificar todos os envolvidos e aprofundar a apuração sobre a extensão do esquema em Goiás.













